10 mudanças no agro para os produtores ficarem atentos em 2018 – Parte 2

No post anterior, mostramos quais são os tópicos que os produtores rurais devem ficar atentos em 2018, se quiserem garantir que permaneçam competitivos. Vamos continuar?


Mudanças no Mercado de Commodities


De 1980 a 2004, a correlação dos preços do milho com os preços do petróleo foi de 0,35. De 2005 a 2013, esse número mais do que dobrou, chegando a 0,87. Além do milho, outras commodities – como a soja – também mostram a forte relação entre o combustível e o preço das safras. A tendência do futuro próximo é voltar a ter um distanciamento entre o preço da produção agro com o preço do petróleo, visto que combustíveis alternativos (veículos movidos por biodiesel, energia elétrica, álcool, etc.) estão se tornando cada vez mais populares.

Além disso, outro fator bastante importante no mercado de commodities é a China. Compradora de praticamente dois terços da produção mundial de soja, a China aumentou seu estoque de soja. Até alguns anos atrás, o gigante asiático não estocava praticamente nada, e atualmente já possui um estoque capaz de prover 17,4% de seu consumo anual de soja. Isso reduzirá o apetite chinês de importações dessa cultura, fato que deve ser levado em conta na elaboração dos planejamentos produtivos.


Mudança no Consumo de Carne Bovina


Nos Estados Unidos, o consumo de carne bovina diminuiu em 7,8% desde 2013. No Brasil, um cenário bastante semelhante começa a surgir. Dados preliminares da MB Agro – braço agrícola da consultoria MB Associados – compilados a partir dos abates inspecionados de bovinos, apontam que o consumo per capita atingiu 30,7 quilos de carne bovina em 2016, redução de 1,9% na comparação anual. Trata-se do menor nível desde 2001.

Enquanto isso, a China continua sendo o principal consumidor de carne do mundo. Até 2022 o consumo de carne – tanto vermelha quanto de aves – da China deverá aumentar 15,2%. Apesar do aumento do consumo chinês compensar a balança comercial em relação à diminuição do consumo local, vale lembrar que são mercados diferentes, com requisitos diferentes, o que pode fazer com que os produtores necessitem adequar suas produções.


Opinião Pública sobre o Manejo do Gado


A demanda dos consumidores, e a insistência regulatória em uma variedade de salvaguardas referentes à criação do gado de maneiras consideradas mais sustentáveis e humanizadas, estão causando uma série de mudanças no sistema alimentar. Algumas redes de supermercados já estão evitando colocar carnes originadas de confinamento em suas prateleiras, e ONGs como a Mercy for Animals passam a pressionar outras redes – como o Grupo Pão de Açúcar, por exemplo – para que façam o mesmo.

Algumas empresas estão usando a estratégia da transparência para minimizar a opinião pública contrária ao confinamento. Como exemplo temos a Cargill, que em 2011 levou a repórter Lisa Ling a um tour em um matadouro em Fort Morgan, no Colorado, para uma matéria do programa da Oprah Winfrey, conquistando uma série de céticos, mostrando que o processo pode não ser tão ruim quanto se divulga.


Crescente Influência do Ambientalismo


Do fertilizante aos pesticidas, os produtores rurais devem ficar atentos à uma rede complexa e crescente de regulamentos. Nos EUA, recentemente um juiz federal decidiu que, para proteger a bacia hidrográfica da Baía de Chesapeake, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA – EPA – e seis Estados devem fazer valer uma carga diária máxima de poluentes nas fazendas da região, encaixando-se com a Lei da Água Limpa (Clean Water Act), que até então não envolvia a água contida no subsolo estadunidense, somente a água de rios e lagos. Essa decisão estava sendo questionada em tribunais desde 2011, mas acabou sendo aprovada e espera-se que impacte não somente os seis Estados afetados por essa decisão, mas sim todo o país, visto que abre um precedente jurídico.

No Brasil, discussões acerca de proibição e liberação de certos agrotóxicos são constantes. Se analisarmos as tendências mundiais, é questão de tempo para que o ambientalismo ganhe cada vez mais força, inclusive jurídica, e que impactos oriundos dessa mudança venham a ocorrer.


Políticas Governamentais em Fluxo


As últimas décadas foram palco de inúmeras mudanças políticas e legislativas em relação ao uso da terra, biocombustíveis e transgênicos, e a tendência é de que isso venha a continuar. A maior mudança provavelmente virá da China, que está lentamente abraçando a produção de grãos transgênicos. A aceitação chinesa de grãos geneticamente modificados para culturas domésticas ajudaria a manter sua autossuficiência, potencialmente transformando o país em um grande exportador.



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