Desempenho apesar dos Desafios: Uma Análise do Agronegócio em 2020

Mesmo com as previsões positivas para a economia realizadas no ano passado, prenunciar o isolamento social criado pela pandemia e suas conseqüências para a economia e sociedades do mundo inteiro não era possível até pouco tempo. Ainda agora, no âmbito dos negócios, é preciso ter cautela, avaliando com cuidado o mercado e capacidades das organizações do Agronegócio a fim de manter o ritmo da produtividade. Por outro lado, vemos que os resultados do campo continuam consistentes - pelo menos em uma visão geral - e o trabalho em qualquer ramificação do Agronegócio persistindo.



Esta realidade já foi observada em crises econômicas anteriores. Conhecer estes eventos nos ajuda a ter uma ideia do que podemos esperar em nossos dias, ou até mesmo criar ideias para amenizar os efeitos dos desafios que temos de superar. Nesta matéria, vamos analisar como o Agronegócio tende a se comportar em momentos como esse, e sua performance durante os últimos meses na primeira metade do ano de 2020.







Histórico



Nos anos recentes, antes da pandemia, observamos outra crise econômica global que afetou de maneira dramática muitos países sul americanos. Segundo dados da Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP e CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil), podemos ver como o Agronegócio brasileiro foi afetado e contribuiu para a economia como um todo; o PIB do país ainda apresentou crescimento em 2017 (1%), com o Agronegócio crescendo 7,6%. A estabilidade seguiu nos anos seguintes, e em 2018 o mercado agropecuário correspondia a 21,1% do PIB total do país, claramente o fator decisivo de seu desenvolvimento. Estes valores se mantiveram semelhantes em 2019, e apesar da desaceleração do crescimento o Agronegócio ainda cresceu 3,8%. Claramente, o crescimento nos últimos quatro anos se manteve firme, sem sofrer nada além do que variações sempre esperadas no mercado.



É possível concluir através destes dados que a resiliência do Agronegócio, apesar de desafios econômicos, foi constante. Mas como esta realidade se repete em um evento extraordinário, como os efeitos da pandemia no ano de 2020?




Atualmente



O Agronegócio é extremamente diverso, e um olhar em detalhes poderia facilmente preencher diversas páginas de conteúdo. Para uma análise assertiva, apresentamos em seguida um resumo de informações que exemplifica o panorama geral do mercado nestes primeiros meses de 2020.



Na esfera da exportação, o faturamento do Agronegócio subiu cerca de 6% de Janeiro até Abril, segundo a CNA, com o faturamento responsável principalmente à cultura de soja em grão, assim como a pecuária de carne bovina e de frango. O crescimento geral do PIB do agronegócio cresceu 3,3% neste primeiro trimestre do ano quando comparado a 2019, e as safras até este momento não demonstram nenhuma preocupação.



Já a agroindústria brasileira sofreu uma certa contração em alguns meses. Comparando o mês de Março com o mesmo período do ano passado, a queda geral foi de 5,6%, devido aos efeitos da quarentena e do distanciamento social intensificados, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mesmo assim, a visão do primeiro trimestre ainda apresentou um acréscimo definitivo para sua produção, mostrando crescimento de 1,41%.



Em comparação aos demais setores da economia, o agronegócio foi o único setor a crescer em meio à pandemia do coronavírus no País. Isto não significa que o Agronegócio é imune aos efeitos colaterais dos desafios econômicos. A exportação depende muito do desempenho de outros países compradores em lidar com suas próprias realidades, o que torna previsões instáveis. O setor canavieiro, por exemplo, foi impactado pela baixa de consumo do etanol na quarentena, e o isolamento social criou outra queda no setor de floricultura.



Mesmo assim, em sua maioria, as previsões futuras são bastante otimistas e o Agronegócio deve se manter bem acima da média do restante da economia. Segundo a CNA, o setor deve faturar cerca de 11% a mais do que em 2019 este ano - um resultado excepcional apesar da pandemia.







Motivos



Não é novidade que diversas variáveis influenciam no sucesso do Agronegócio. O seu bom desempenho até então pode ser atribuído inicialmente a alta do dólar e variações de preços nas commodities no mercado internacional. De acordo com a CNA, a boa safra até e o bom desempenho da pecuária também colaboraram. Nas palavras da Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento:



"Temos tido sucesso com isso porque, além da grande safra que foi colhida neste verão, temos tido a logística absolutamente normalizada. Portanto, além do abastecimento dos 212 milhões de brasileiros, também temos conseguido cumprir a nossa missão de provedores de alimentos do mundo".



E, claro, o trabalho ativo dos produtores e organizações para sustentar seu ritmo de produtividade mesmo com os desafios sociais e econômicos impostos certamente ajudou a construir este sucesso. Todos estes fatores precisam de manutenção constante para garantir os bons resultados até o momento.







Conclusão



Podemos ver que o Agronegócio não é imune a uma crise, mas possui eficiência ímpar em lidar com suas conseqüências e manter seu ritmo. De acordo com que avançamos cada vez mais ao fundo da segunda metade de 2020, a missão de todas as organizações deste mercado é manter o nível dos negócios enquanto a crise durar. Continuar também os investimento em áreas que tragam retorno para a sustentabilidade financeira da organização e otimize seus processos e atendimentos é fundamental, pois continuará a ser um diferencial atrativo de oportunidades durante a recuperação pós-pandemia que eventualmente virá.



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