O Futuro das Fazendas: Agribots e Automação – Parte 2

No post anterior, mostramos que a Agricultura 4.0 já está acontecendo, e que grande parte dos investimentos de venture capitalists têm virado seus olhares para o mercado agro, apostando em startups de automação de processos no campo.


Quais são as iniciativas que tem dado certo?


Uma das maiores histórias de sucesso até agora para os robôs na agricultura está na produção leiteira – uma indústria que tem sido atormentada por margens de lucro minúsculas por anos. Em um sistema automatizado típico, as vacas se alinham para a ordenha até cinco ou seis vezes por dia. O robô verifica, mapeia e limpa o úbere e as tetas das vacas, enquanto um computador calcula a velocidade ideal de ordenha de cada animal – um dado importante para uma operação de produção leiteira de 24 horas por dia.

Mas, se você acredita que robôs de ordenha não possuem autonomia e inteligência suficientes para serem classificados de fato como robôs, você pode se surpreender com o robô que colhe frutas, da FFRobotics. A máquina possui 12 braços robóticos autônomos: seis de cada lado, cada um capaz de escolher e manusear frutas. Cada braço possui sensores, suportados por um software de processamento de imagem. Eles mapeiam as árvores e usam um algoritmo para identificar a localização, tamanho, cor e formato da fruta, classificando-as como maduras ou como “verdes”. A capacidade total de colheita para esse sistema, quando usado em pomares de maçã, é de 10 mil frutos por hora, enquanto humanos, em média, colhem mil frutos por hora. Esse mesmo sistema também é utilizado com pêssegos e romãs.

Não se surpreendeu com esses números? Uma startup francesa está desenvolvendo um robô 100% autônomo chamado Wall-Ye, com dois braços, contendo seis câmeras cada, capaz de realizar a poda de videiras automaticamente, além de ser capaz de selecionar a uva por qualidade e maturação, tornando o trabalho de produção de vinho muito mais fácil e rápido. A colheita manual da uva na Califórnia tem um custo médio por hectare de US$ 1.875. A utilização do Wall-Ye, segundo a fabricante, reduziria esse custo para US$ 250, e traria uma margem de erro 40% menor do que a de trabalhadores humanos.

A indústria de morangos – que representou US$ 2,9 bilhões nos EUA, em 2014 - é outro alvo para os desenvolvedores de agribots. Um exemplo é o Agrobot - um robô que custa US$ 100.000, também com 12 braços automatizados, que analisam cada morango individualmente, observando a forma e a cor para identificar quais morangos estão maduros. Tendo julgado o amadurecimento da fruta, pequenas cestas de metal anexadas aos braços do robô coletam os morangos. Esses morangos então são transportados automaticamente para uma área de embalagem, e encontram-se prontos para a entrega.

Até mesmo a Panasonic, gigante multinacional japonesa, já anunciou que lançará em 2019 um robô para a colheita de tomates.


E nas principais atividades agro do Brasil – soja, milho e trigo?


Não precisando da delicadeza e da precisão milimétrica dos robôs colhedores de frutas, os tratores são os principais alvos para a autonomia robótica. A Case IH recentemente demonstrou um trator totalmente autônomo como um veículo-conceito, para avaliar o interesse dos agricultores na novidade. Trata-se de um veículo sem assento para motorista, que poderia arar campos sem qualquer tipo de supervisão.

Essa realidade de tratores auto-dirigidos não é “tão novidade” assim. Tratores guiados por GPS já existem desde a década de 90. A John Deere estima que cerca de dois terços dos grandes agricultores nos Estados Unidos usam tecnologia de auto-condução. Isso permite que os veículos funcionem por mais horas, até mesmo durante a noite e quando a visibilidade é baixa. O GPS garante a precisão em nível milimétrico, o que melhora as operações de semeadura e colheita, além de reduzir as perdas causadas por motoristas que saem do trajeto correto.

A John Deere também desenvolveu a AutoTrac Vision, que usa câmeras para detectar ervas daninhas e que guiam pulverizadores químicos, além do sistema Machine Sync, que permite que uma colheitadeira controle a velocidade e a localização de um trator e carrinho de grãos para que a acompanhe e faça a descarga sem desperdícios.


Enfim, ainda não há um player gigante de atuação exclusiva no mercado de automação agro, mas é uma realidade que especialistas estimam que mude dentro de uma década. Sara Olson, especialista em robótica agrícola e analista da Lux Research – uma aceleradora estadunidense de startups de tecnologia - diz: “a indústria de automação agro, nos próximos dez anos, terá uma realidade organizacional muito semelhante ao que temos hoje como realidade na indústria de máquinas agrícolas”.

Você está pronto para essa nova realidade, que já está presente em nossas vidas?


COMPARTILHE ESSE POST


DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários do blog são via facebook. Para comentar você tem que estar logado lá.
Lembre-se que o comentário é de inteira resposabilidade do autor.


Feito com carinho