Sucessão familiar no campo: quando começar a se planejar?

Um problema que atinge produtores rurais de todo o Brasil, com muita frequência, é a sucessão familiar de sua atividade. É muito comum que os filhos mudem-se para os centros urbanos para estudar – o que, muitas vezes, seus pais não puderam fazer –, e por lá acabem fixando residência e desenvolvendo suas próprias famílias, distanciando-se da atividade rural.

Além disso, é um assunto que muitas vezes “provoca” alguns pontos bastante desconfortáveis: a aceitação da mortalidade, a possível perda do controle (que, em famílias mais tradicionais, normalmente é centralizado no patriarca, a disputa familiar pelo patrimônio, etc). Por isso, esse é um assunto normalmente pouco debatido nas famílias do campo.

E quando seria o melhor momento para abordar esse assunto em família?


O milenar ditado chinês



Existe um ditado chinês que diz: “o melhor momento para se plantar uma árvore foi há 20 anos atrás. O segundo melhor momento é agora”. O mesmo princípio é válido para o planejamento da sucessão familiar no campo. Nunca é cedo demais para trazer à mesa essa discussão, mas postergá-la pode fazer com que seja tarde demais. Quantas são as histórias de famílias que se dividem em incontáveis brigas de herança depois da partida de um ente querido? Isso pode ser evitado se um bom plano de sucessão familiar for formado e executado.


Apoio governamental e de ONGs



Algumas organizações – como o SEBRAE e o EMATER – frequentemente promovem ações com o objetivo de despertar o interesse dos jovens na continuidade dos negócios da família no campo, bem como facilitar o planejamento e a execução do plano de sucessão familiar.

A gerente regional da EMATER/RS, Regina Hernandes, diz que trabalhar com o jovem na questão da sucessão familiar é um desafio constante e, por conta disso, a entidade desenvolve, desde 2016, uma série de iniciativas para estimular a permanência no campo. “Iniciamos com um trabalho que, no início, ajudava na organização de jogos rurais, mas com o tempo focamos na continuidade das atividades nas propriedades, pois percebemos que o meio rural é predominado por pessoas idosas ou aposentados.”, explica.

A gerente conta que, nesse processo, é fundamental atuar com as duas pontas, ou seja, a família e o jovem. Segundo ela, “se os pais reclamam constantemente do trabalho árduo ou não possibilitam ganhos financeiros aos seus filhos, ou não abrem espaço para novas ideias, fica difícil despertar esse interesse em ficar”, ressalta. Regina afirma que ninguém permanece no campo apenas porque existe qualidade de vida ou pelas belezas da cidade, mas sim pela possibilidade de gerar renda.

“É preciso parar de apenas proferir o discurso sobre a importância do jovem no campo, que é fundamental, tendo em vista o papel da agricultura nas sociedades, mas sim agir com planos reais”, defende a gerente. Ela aponta, também, esforços do governo, como o programa estadual chamado Bolsa Juventude Rural, que seleciona projetos e, durante 10 meses, destina R$ 200,00 para que o contemplado inicie ações de melhorias e geração de renda nas propriedades. “Precisamos unir esforços e somos gratos ao apoio do SEBRAE/RS nessa ação. Esperamos em breve obter indicadores positivos”, finaliza.


Conclusão



Não é possível prever o que o futuro lhe reserva. Iniciar o quanto antes seu plano de sucessão familiar pode garantir que o negócio que você tanto se dedicou venha a ter continuidade em caso de aposentadoria, morte ou invalidez. Planejar a sucessão do trabalho na fazenda não significa que você esteja morrendo ou se aposentando. Um bom plano é revisado e melhorado muitas vezes para garantir que se encaixe com os desejos, anseios e necessidades de todos os envolvidos nessa operação.

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