Tesouros do Agronegócio - Cana-de-Açúcar



Encerrando nossa série de posts sobre as maiores riquezas do agronegócio brasileiro e mundial, o último, e não menos importante, a cana-de-açúcar!





Cana-de-açúcar é uma espécie de gramínea perene alta do gênero Saccharum, tribo Andropogoneae, nativa das regiões tropicais do sul da Ásia e da Melanésia, e utilizada principalmente para a produção de açúcar e etanol. Tem caules robustos, fibrosos e articulados que são ricos em sacarose, atingindo entre dois e seis metros de altura. Todas as espécies de cana-de-açúcar mestiças e as principais cultivares comerciais são híbridos complexos. A cana pertence à família Poaceae, uma família de plantas economicamente importantes, como milho, trigo, arroz e sorgo, e muitas culturas forrageiras.



A sacarose, extraída e purificada em fábricas especializadas, é utilizada como matéria-prima na indústria de alimentos humanos ou é fermentada para produzir etanol, que é produzido em escala pela indústria da cana no Brasil. A planta representa a maior colheita do mundo em quantidade de produção. Em 2012, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estimou que foi cultivado em cerca de 26,0 milhões de hectares de cana, em mais de 90 países, com uma colheita mundial de 1,83 bilhões de toneladas. O Brasil foi o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Os próximos cinco maiores produtores foram Índia, China, Tailândia, Paquistão e México.



A demanda mundial de açúcar é o principal condutor do cultivo de cana. A planta é responsável por 80% do açúcar produzido; a maior parte do restante é feito a partir da beterraba. A cana cresce predominantemente nas regiões tropicais e subtropicais (a beterraba cresce em regiões temperadas). Com exceção do açúcar, os produtos derivados da cana incluem melaço, rum, cachaça (bebida tradicional do Brasil), bagaço e etanol. Em algumas regiões, as pessoas usam palhetas de cana para fazer canetas, tapetes, telas e palha. A inflorescência de plantas jovens é consumida crua, cozida no vapor ou torrada, e preparado de várias maneiras em determinadas comunidades insulares da Indonésia.



O açúcar, um dos produtos primários extraídos da cana, é um termo genérico para carboidratos cristalizados comestíveis, principalmente sacarose, lactose e frutose. Especificamente, monossacarídeos e oligossacarídeos pequenos. A sua principal característica é o sabor adocicado. Em culinária, quando se fala em "açúcares", costumam se excluir os polióis da definição de açúcar, restando todos os monossacarídeos e dissacarídeos. No singular, "açúcar" costuma se referir à sacarose, identificando outros açúcares por seus nomes específicos (glicose, frutose etc).





Formas de apresentação da sacarose – Açúcar



• Açúcar mascavo ou açúcar mascavado (açúcar bruto): açúcar petrificado, de coloração variável entre caramelo e marrom, resultado da cristalização do mel-de-engenho, e ainda com grande teor de melaço. Também é chamado de açúcar moreno, açúcar bruto ou gramixó.



• Açúcar demerara: açúcar granulado de coloração amarela, resultante da purgação do açúcar mascavo, e com teor de melaço em sua composição, mais utilizado para exportação.



• Açúcar refinado granulado: puro, sem corantes, sem umidade ou empedramento e com cristais bem definidos e granulometria homogênea. O açúcar refinado granulado é muito utilizado na indústria farmacêutica, em confeitos, xaropes de excepcional transparência e mistura seca em que são importantes pelo aspecto, escoamento e solubilidade.



• Açúcar refinado amorfo: com baixa cor, dissolução rápida, granulometria fina e brancura excelente, o refinado amorfo é utilizado no consumo doméstico, em misturas sólidas de dissolução instantânea, bolos e confeitos, caldas transparentes e incolores.



• Açúcar cristal: com cristais grandes e transparentes, difíceis de serem dissolvidos em água. Depois do cozimento passa apenas por um refinamento leve, que retira 90% dos sais minerais. Por ser econômico e render bastante, o açúcar cristal aparece com frequência em receitas de bolos e doces.



• Glaçúcar: o conhecido "açúcar de confeiteiro", com grânulos bem finos, cristalinos, produzido diretamente na usina, sem refino e destinado à indústria alimentícia, que o utiliza em massas, biscoitos, confeitos e bebidas.



• Xarope simples ou açúcar líquido: transparente e límpido, é também uma solução aquosa, usada quando é fundamental a ausência de cor, caso de bebidas claras, balas, doces e produtos farmacêuticos.



• Açúcar orgânico: produto de granulação uniforme, produzido sem nenhum aditivo químico, tanto na fase agrícola como na industrial. Pode ser encontrado nas versões clara e dourada. Seu processamento segue princípios internacionais da agricultura orgânica e é anualmente certificado pelos órgãos competentes. Na produção do açúcar orgânico, todos os fertilizantes químicos são substituídos por um sistema integrado de nutrição orgânica para proteger o solo e melhorar suas características físicas e químicas. Evita-se doenças com o uso de variedades mais resistentes e combatem-se pragas (como a broca-da-cana) com seus predadores naturais – vespas, por exemplo.









Embora seja orgânico, o etanol não é encontrado puro na natureza e precisa ser fabricado. Há processos complexos para a obtenção da substância, porém, o mais difundido é a fermentação de açúcares de plantas ricas em açúcar ou amido, como cana-de-açúcar, milho, beterraba e sorgo, sendo a cana-de-açúcar a mais simples e produtiva.



Isso dá ao Brasil uma grande vantagem, visto ser esse o principal produto de extração de etanol no país. A produtividade média de geração de etanol por hectare de cana, por exemplo, é de 7500 litros, enquanto a mesma área de milho, principal matéria prima do álcool produzido por fermentação nos Estados Unidos, produz 3 mil litros do combustível.



Nas usinas, a planta é esmagada para se obter o caldo, no qual são jogadas leveduras (fungos) que realizam a fermentação. Existe também a possibilidade de extrair os açúcares para produção de etanol da biomassa da cana, ou seja, da palha e do bagaço que, atualmente, sobram da produção "comum". Porém, a primeira usina no país a utilizar este novo método só vai ficar pronta em 2014.





Sazonalidade





Colheita e Processamento:





BRASIL CENTRO-SUL: abril a novembro



BRASIL NORTE-NORDESTE: setembro a abril



EUA, UNIÃO EUROPÉIA, ÍNDIA: outubro a maio



TAILÂNDIA: novembro a junho



AUSTRÁLIA: julho a fevereiro



BRASIL É O ÚNICO GRANDE PLAYER COM SAFRA NO 1º SEMESTRE DO ANO





• A cana-de-açúcar é uma cultura perene, ou seja, da mesma planta pode ser colhida cana até 5 vezes; depois de plantada a cana demora até 18 meses para ser colhida. Geralmente as usinas renovam em torno de 20% do canavial por ano e a cada 5 anos fazem rotação de cultura com a soja;



• Após o corte a cana é perecível, devendo ser processada em no máximo 48 horas.





Vantagens competitivas do Brasil:





O BRASIL É REFERÊNCIA INTERNACIONAL EM TECNOLOGIA SUCROALCOOLEIRA



• Clima favorável e terras férteis garantem elevado teor de sacarose da cana; ? Baixo custo da terra e da mão-de-obra;



• Elevada produtividade;



• O Brasil usa o bagaço e a palha de cana para a co-geração de energia elétrica, garantindo o auto-consumo ou a venda de energia;



• As usinas de outros países são essencialmente açucareiras, ao passo que as usinas brasileiras têm flexibilidade de destino da cana, para álcool ou para açúcar, podendo maximizar receitas.





As unidades produtoras mistas (produzem açúcar e álcool) têm capacidade limitada de fabricação de açúcar e de álcool, portanto não é possível a concentração em um só produto quando este apresenta maior rentabilidade.





FORNECEDORES



• Há usinas que têm canaviais próprios, bem como usinas que adquirem cana de fornecedores;



• Em média, os fornecedores independentes de cana-de-açúcar representam cerca de 30% do consumo total de matéria-prima. Nos demais players a cana é adquirida totalmente de terceiros;



• Não há relação integrada entre usinas e produtores independentes;



• O pagamento aos fornecedores é balizado no teor de sacarose e pureza da cana.





REGIONALIZAÇÃO



PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR POR REGIÃO





Brasil 20,3%



Índia 16,6%



UE 9,4%Tailândia 6,3%



China 6,1%



EUA 4,6%



México 3,7%



Paquistão 3,2%



Austrália 2,9%



Rússia 2,7%



Guatemala 1,7%



Indonésia 1,3%



África do Sul 1,0%



Outros 20,1%





MAIORES CONSUMIDORES MUNDIAIS DE AÇÚCAR (safra 2015/16)





Índia 16,2%



UE 10,9%



China 10,1%



Brasil 6,5%



EUA 6,2%



Rússia 3,4%



Indonésia 3,2%



Paquistão 2,8%



México 2,7%



Tailândia 1,5%



Outros 36,6%





MAIORES EXPORTADORES MUNDIAIS DE AÇÚCAR (safra 2015/16)





Brasil 43,4%



Tailândia 16,1%



Austrália 6,7%



Índia 4,6%



Guatemala 4,3%



UE 2,7%



México 2,6%



Cuba 1,6%



África do Sul 1,3%



Outros 16,7%





MAIORES PRODUTORES MUNDIAIS DE ETANOL (2015)





EUA 57,5%



Brasil 27,7%



UE 5,4%



China 3,2%



Canada 1,7%



Tailândia 1,3%



Argentina 0,8% India 0,8%



Outros 1,5%





CONSUMIDORES



• A cultura é exportadora – o consumo interno de açúcar é estável em torno de 11 milhões de toneladas por ano, isso significa que qualquer crescimento da produção nacional gera maior excedente exportável;



• Os preços do açúcar são balizados no mercado internacional, na Bolsa de Nova Iorque – NYBOT – açúcar demerara (bruto), sendo a unidade de medida a libra peso (453,6 gramas). O açúcar branco ou refinado tem contrato na Bolsa de Londres; a unidade de medida é a tonelada;



• A comercialização interna de álcool é realizada das destilarias diretamente para as companhias distribuidoras de combustível, que buscam o álcool nas destilarias em caminhões próprios;



• A mistura de etanol na gasolina é realizada nas distribuidoras. No mercado doméstico o tipo mais utilizado de açúcar é o refinado amorfo (açúcar branco). Cerca de 60% da produção interna é voltada para o consumidor final e 40% para a indústria (fabricação de biscoitos, sorvetes, refrigerantes);



• O consumo de açúcar é determinado pelo nível de renda e pelo crescimento populacional;



• O consumo de álcool está mais relacionado ao preço da gasolina, lançamentos da indústria automobilística e do percentual de mistura de álcool à gasolina que oscila entre 20% e 27%.



• O anidro passa pelo processo desidratação para eliminar o máximo de água, por isso o custo de produção é maior.





PAÍSES DE DESTINO DAS EXPORTAÇÕES DE AÇÚCAR (2015)





China 10,4%



Bangladesh 10,3%



Argelia 6,8%



Índia 6,3%



Emirados Árabes Unidos 6,0%



Nigéria 5,6%



Arábia Saudita 4,7%



Egito 4,5%



Rússia 4,3%



Malásia 4,1%



Outros 32,9%





AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE ÁLCOOL PARA OS EUA SÃO TAXADAS EM US$ 0,54 POR GALÃO. PARA CONTORNAR A TARIFA, A MAIOR PARTE DAS VENDAS SÃO FEITAS VIA PAÍSES DO CARIBE, COMO EL SALVADOR, JAMAICA E COSTA RICA, ONDE NÃO HÁ COBRANÇA DE TARIFAS





PAÍSES DE DESTINO DAS EXPORTAÇÕES DE ETANOL (2015)





Outros 49,2%



Coréia do Sul 25,2%



China 6,4%



Índia 5,0%



Países Baixos 3,4%



Japão 2,6%



Nigéria 2,5%



Arábia Saudita 1,8% Turquia 1,0%



Outros 2,9%





FATORES DE RISCO





Risco Climático;



• Incidência de pragas e doenças;



• Setor exportador – dependente do comportamento do câmbio;



• Commodity sujeita ao comportamento das cotações internacionais. Risco elevado em períodos de alta volatilidade dos preços nos mercados futuros, o que pode levar a perdas com ajuste de margem;



• Custos de produção cotados em dólar e dependentes da matéria-prima petroquímica (fertilizantes e defensivos agrícolas).







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